Mulheres brasileiras que fizeram história na área da tecnologia

Mulheres brasileiras que fizeram história na área da tecnologia

Considerando que, mesmo sendo o gênero que mais possui graduação no ensino superior, segundo informações do Fórum Econômico Mundial, as mulheres ainda encontram muitas dificuldades no mercado de trabalho. E no setor de tecnologia não é diferente. A igualdade de gêneros na área ainda é uma realidade um pouco distante.

Por isso, o mês de março serve para, além de relembrarmos a luta pela igualdade, as conquistas e os direitos, reconhecer aquelas que fazem a diferença e história no setor, mesmo em meio a tantas adversidades.

Ainda temos muito a evoluir quando o assunto é mulheres na tecnologia, pois, além da desigualdade, há a diferença salarial e a falta de representatividade delas nas empresas. Apenas 25% dos profissionais de TI são mulheres, de acordo com o Fórum, e esse é um dos motivos que as fazem desistir de seguir carreira em STEM (Science, Technology, Engineering and Mathematics).

Mas, felizmente, o protagonismo feminino vem ganhando espaço e a evolução das mulheres na tecnologia tem avançado.

Quer conhecer mulheres inspiradoras e que fizeram história na área da tecnologia? Então acompanhe este artigo. Boa leitura!

Panorama de mercado das mulheres em tech

O público feminino, apesar de ser usuário de aplicativos, redes sociais e dispositivos digitais, não atua massivamente na produção da tecnologia. A participação menor das mulheres no setor é atribuída simplesmente ao estereótipo de que TI seria uma área pela qual os homens se interessam mais. Outro fator é a disparidade de gênero na participação e no desempenho da educação em STEM.

E, mesmo com os avanços rumo à igualdade nas empresas, o número de mulheres nas áreas de tecnologia continua baixo. Segundo a pesquisa “Women in Technology” da PageGroup, no Brasil, apenas 25% da força de trabalho nas companhias de tecnologia são de mulheres.

Esse baixo número se deve ao histórico social e cultural, principalmente em um país que impede as mulheres, desde crianças, de acreditar que podem atuar na área de tecnologia, criando uma percepção de que computador é apenas para meninos. Esse fato se deve à segmentação de gênero em relação às carreiras, ainda na fase inicial da escola, quando as meninas são desencorajadas a cursar disciplinas em exatas e ciências. E pouco, ou quase nada, é feito para engajar e despertar tal interesse.

Esse estereótipo de que TI seria para homens, acaba afastando ainda mais as mulheres, criando um ambiente hostil para o gênero feminino, desde a formação até o ingresso no mercado de trabalho, seja em situações de assédio ou até mesmo pela desconfiança na capacidade dessas profissionais de realizar um bom trabalho.

Além disso, a falta de inspiração é um fator determinante para que elas não estejam escolhendo um caminho na área de TI. Tanto que, ainda de acordo com a pesquisa da PageGroup, 47% afirmam faltar modelos a seguir para as mulheres no Brasil.

E, no Dia Internacional da Mulher - mas não somente nesta data -, a representação feminina em determinados setores se torna um debate necessário e a discussão sobre a participação delas em cargos de tecnologia deve estar mais evidente do que nunca.

Quem são as mulheres inspiradoras?

Aos poucos, esse cenário vem se modificando, ainda que gradualmente, graças a iniciativas de combate ao machismo e redução da desigualdade de gênero no setor, cada vez mais frequentes, desenvolvidas por empresas e governos.

Ciência e gênero estão no centro dos debates, embasados por pesquisas e publicações que abordam a desigualdade na área de TI e fazem com que o setor reflita sobre o tema, promovendo maior conscientização.

Mesmo ainda sendo uma porcentagem baixa, a presença das mulheres em cargos de liderança em empresas globais também colabora com esse avanço, trazendo representatividade a elas e incentivando-as a seguir carreira e entrar nesse espaço.

E, diferentemente do senso comum, a evolução do mercado tecnológico está repleta de exemplos de mulheres que tiveram contribuições fundamentais. O primeiro algoritmo da história, por exemplo, foi idealizado por uma mulher: Augusta Ada Byron King, matemática e escritora inglesa conhecida atualmente como Ada Lovelace, a primeira programadora do mundo.

Além de Ada, Grace Hopper, primeira mulher formada na universidade de Yale com PhD em matemática, foi uma das criadoras da Linguagem Comum Orientada para Negócios (COBOL) e cunhou o termo “bug” para indicar problemas em software. Hedy Lamarr, nome artístico de Hedwig Eva Maria Kiesler, atriz e inventora, fez uma importante contribuição tecnológica durante a Segunda Guerra Mundial, uma co-invenção, com o compositor George Antheil: um sistema de comunicações para as Forças Armadas dos Estados Unidos, que serviu de base para a atual telefonia celular.

Carol Shaw, engenheira de software para microprocessadores e pioneira na indústria dos games, foi a primeira mulher desenvolvedora de jogos eletrônicos no mundo, criando o sistema de geração procedural de conteúdo. Radia Perlman, designer de software e engenheira de redes, foi a responsável pela criação do protocolo STP (Spanning Tree Protocol), além de ter sido uma das criadoras do TORTIS, linguagem de programação com fins educacionais e voltada à robótica.

E no Brasil também há muitas mulheres de destaque, que fizeram história na área da tecnologia. Algumas delas são:

Cláudia Maria Bauzer Medeiros

Engenheira eletrotécnica, doutora em Ciência da Computação, pesquisadora, comendadora da Ordem Nacional do Mérito Científico e membro titular da Academia Brasileira de Ciências. Cláudia foi presidente da Sociedade Brasileira de Computação de 2004 a 2007. Atualmente, é professora da Unicamp, onde fundou o Laboratory of Information Systems (LIS), e professora visitante da Universidade Paris-Dauphine, onde, em 2015, conquistou o título de Dra. Honoris Causa. Tem diversos reconhecimentos internacionais por suas pesquisas e por fomentar a participação de mulheres na área de TI.

Dilma Menezes da Silva

Cientista brasileira com Ph.D em Ciência da Computação pelo Instituto de Tecnologia da Geórgia, em Atlanta. A pesquisadora de software de sistemas, radicada nos Estados Unidos, é conhecida por seu trabalho sobre computação em nuvem. Possui destaque no comando do grupo de pesquisa avançada de Sistemas Operacionais da IBM, em Nova Iorque. Em 2011, foi uma das agraciadas com o prêmio ACM Distinguished Scientist.

Juliana Freitag Borin

Ph.D em Ciência da Computação, escritora da revista SBC Horizontes e professora da UNICAMP, seus interesses de pesquisa envolvem tópicos em Internet das Coisas (IoT), cidades inteligentes e redes de computadores. Juliana também coordena o projeto Android Smart Girls, iniciativa que estimula a formação de mulheres para as carreiras de ciências exatas, engenharias e computação.

Clarisse Sieckenius de Souza

Mestre e doutora em linguística, cientista da computação, escritora e professora titular no Departamento de Informática da PUC-Rio, onde pesquisa a área de interação humano-computador (HCI). Clarisse desenvolveu a teoria da engenharia semiótica, fundando a SERG (Semiotic Engineering Research Group). Ela foi escolhida, em 2014, uma das 54 mulheres de todos os tempos que se destacam pela atuação em pesquisa na área de Ciência da Computação.

Paula Bellizia

Nascida na Angola, Paula veio para o Brasil quando tinha apenas 3 anos de idade, fugindo da guerra civil de seu país. Cursou tecnologia da informação na Faculdade de Tecnologia (Fatec) e, atualmente, é executiva com décadas de experiência em tech giants como Microsoft, Google, Apple e Facebook. Com uma trajetória marcada pela liderança transformadora, dando prioridade a diversidade e inclusão, Paula gera impacto nas pessoas e na sociedade.

Cristina Junqueira

Engenheira de produção, formada na USP, e empresária, Cristina atua no mercado financeiro, sendo uma das fundadoras da fintech Nubank e atual CEO. Em 2021, entrou para a lista de bilionárias da revista Forbes, se tornando a segunda mulher mais rica do país, atrás apenas de Luiza Trajano, dona da varejista Magazine Luiza.

Ana Fontes

A publicitária Ana Lúcia Pedro Fontes se tornou referência no cenário do empreendedorismo feminino no país. É fundadora da Rede Mulher Empreendedora, primeira rede de apoio às mulheres empreendedoras no Brasil, e dona do espaço de coworking Natheia, além de ser reconhecida internacionalmente pela sua plataforma de apoio ao empreendedorismo feminino.


Digital House incentiva a formação e apoia as mulheres na tecnologia com cursos de capacitação

A discussão sobre a participação das mulheres na tecnologia está mais vigente do que nunca e, para enfrentar a predominância masculina neste setor e alcançar a equidade de oportunidades, é preciso oportunizar situações que coloquem as mulheres em pé de igualdade.

Para isso, é preciso que todos tenham a responsabilidade de combater este estereótipo e promover a TI como uma indústria dinâmica, interessante e receptiva, estimulando ambientes de trabalho mais diversos. Isso inclui valorizar as mulheres, promover atividades que garantam que todas tenham contato com o mundo da tecnologia desde cedo e incentivar a formação delas nesse setor.

Sendo assim, a Digital House incentiva mais mulheres a seguir carreira na área, oferecendo formação que oportuniza o desenvolvimento e crescimento profissional, além de todo o suporte necessário para o aprendizado.

Conheça nossos diversos cursos de habilidades digitais, com aulas online, ao vivo e ministradas por professores e professoras especialistas em grandes empresas do mercado. Além disso, temos o Departamento de Carreiras, onde as alunas podem acessar e conferir diferentes conteúdos exclusivos sobre suas jornadas.

Seja a inspiração para outras mulheres, dê o primeiro passo e contribua para a desconstrução da naturalização do que é entendido como masculino ou feminino, normalizando a presença e crescimento das mulheres na tecnologia.