Elon Musk compra o Twitter: quais serão os maiores desafios e vantagens com isso?

Recentemente, a compra do Twitter por Elon Musk foi confirmada. Isso se tornou uma das notícias mais comentadas na internet, gerando também muitas polêmicas. Quer entender o porquê? Continue acompanhando.

Elon Musk compra o Twitter: quais serão os maiores desafios e vantagens com isso?

A aquisição movimentará cerca de U$44 bilhões, tornando a rede uma companhia de capital fechado. Além disso, a previsão é de que o negócio tenha conclusão ainda este ano. No entanto, é preciso a aprovação formal dos acionistas e órgãos aleatórios, e isso pode levar um tempo considerável.

Por trás de tudo isso, está Elon Musk, fundador da Tesla (empresa de carros elétricos) e da SpaceX (exploração espacial), considerado o homem mais rico do mundo em 2022 e que possui um patrimônio avaliado em U$273 bilhões (R$1,3 trilhão). Ele ficou conhecido por suas declarações polêmicas, sendo eleito também pela revista "Time" como a "Personalidade do Ano" em 2021.

Ele pode estar satisfeito com a nova aquisição, no entanto, isso tudo também gerou movimentações entre as pessoas. A hashtag "#RIPTwitter" (descanse em paz, Twitter) foi um dos trending topics que esteve mais em alta nos últimos dias. Muitos usuários ameaçam abandonar a rede social.

Por que a compra também causou polêmica no mercado? Quais serão as maiores dificuldades e desafios que poderão surgir com essa aquisição? Por outro lado, existem possíveis vantagens e boas notícias a partir disso?

Para entendermos esse panorama com mais exatidão e detalhes, a DH não poderia ficar de fora. Entrevistamos Edney Souza, nosso diretor acadêmico da Digital House Brasil, e Gabriela Schuch Kastner, professora de Marketing Digital da Digital House, que nos explicam mais sobre todo esse panorama. Confira abaixo:

Gabriela: antes de olharmos apenas para a hashtag e o que ela representa (nesse caso um “cancelamento” do Twitter na própria rede social), é preciso olhar para o fato de que todos os algoritmos e ações levam pessoas por trás. E todas elas são carregadas de crenças e convicções, consequentemente desagradando ou agradando ao público.

No Brasil podemos perceber esse movimento muito bem delineado, com polarizações ideológicas desenhadas por personas específicas. Musk não é diferente.

Edney: se por um lado Elon Musk tem muitos admiradores, ele também tem muitos haters (detratores), que não gostam muito das gracinhas do bilionário ou porque olham com desconfiança qualquer pessoa que tenha acumulado tanta riqueza em uma única vida. Imaginar que a rede vai passar a pertencer a alguém que você não admira pode gerar um desgosto, a ponto de pensar em abandoná-la.

Além disso, o Twitter quase sempre foi uma rede sem fins lucrativos. A presença de publicidade é mínima quando comparada a outras redes, ou seja, um modelo de negócio menos rentável. Com a entrada de Musk, muitos têm medo de mudanças agressivas na direção da monetização e o excesso de publicidade ou recursos comerciais, que não costuma ser muito bem visto no meio.

2) Quais as maiores dificuldades e desafios que poderão surgir daqui para frente com essa compra?

Edney: cumprir a promessas de eliminar os bots deve gerar uma queda considerável de seguidores, além de tornar o Twitter uma empresa de capital fechado e perder valor de mercado. Muitos perfis com números inflados artificialmente podem se sentir perseguidos e abandonar a rede.

Autenticar os usuários deve ser outra tarefa complexa. o Facebook já tentou no passado e entrou em várias polêmicas que fez, inclusive, muitos usuários abandonarem a rede.

Além disso, Musk vai precisar lidar com as legislações de diferentes países onde o Twitter atua e os conceitos de liberdade de expressão são diferentes dos que ele defende.

Gabriela: temos a tendência comportamental de enxergarmos as redes sociais como autoridade. O famoso “se tá no Facebook (ou Twitter), é verdade.” Mas, na realidade, as redes são uma ferramenta. No caso do Twitter, agora, aos olhos da comunidade, sua autoridade tem um rosto. E o público, em partes, claramente tem problemas com essa “representatividade”.

No entanto, ainda é cedo para falar em cancelamento de rede. É preciso aguardar o que dessa rede "mais aberta", proposta por Musk, irá efetivamente funcionar.

3) E quais são as vantagens e boas notícias que poderão existir?

Edney: muitos veículos de notícias têm destacado a questão da liberdade de expressão. Da forma como Elon Musk defende esse conceito, é quase certo que pessoas banidas da rede voltarão, assim como tweets também deixarão de ser deletados.

Uma das promessas de Musk é tornar público o algoritmo do Twitter. Isso garante a transparência de como as recomendações são feitas e, um pouco além disso, cria uma nova perspectiva nas discussões sobre os algoritmos de outras plataformas.

Atualmente, outras redes como Instagram e YouTube dizem se tratar de segredo industrial e tornar público os algoritmos poderia acabar com o seu negócio. Com a rede do homem mais rico do mundo fazendo isso, o argumento cai por terra e as outras plataformas serão pressionadas a se tornarem mais transparentes com seus códigos. Além disso, ter um código público de um algoritmo de uma grande rede pode estimular o surgimento de outras redes sociais.

Elon Musk também prometeu acabar com os bots e fakes, autenticando todos os usuários, ou seja, todo mundo terá de provar para o Twitter que é uma pessoa real. O fim dos bots e fakes acaba com os trending topics inflados artificialmente e com a irresponsabilidade com que muitos usuários usam a rede. Elon Musk não pretende impedir que você fale nada no Twitter, mas isso não significa que ele vai te proteger das autoridades em cada país.

Sob sua supervisão, o Twitter também pode, finalmente, se tornar lucrativo e criar novos modelos de negócios para a sobrevivência das redes sociais. A inovação é um problema, pois faz muito tempo que o Twitter só copia recursos de outras redes como o Stories/Fleets, vídeos curtos/Vine, vídeo ao vivo/Periscope, newsletters/Revue, entre outros.

Musk é conhecido por inovar e não copiar. Com ele à frente do negócio, podemos esperar algum tipo de novidade que vai apimentar a guerra das redes sociais e talvez revolucionar esse mercado.

Gabriela: acredito que é importante ficarmos atentas e atentos aos novos recursos propostos. Além disso, a ideia de autenticação focada em derrubar, bots spam e robôs é uma ideia interessante e um ponto que prejudica muito o desempenho das redes, principalmente nessa abertura que auxilia na propagação de fake news.

4) Segundo algumas entrevistas concedidas, Musk afirma que a aquisição do Twitter não está relacionada a dinheiro, mas, sim, com a criação de uma plataforma que seja uma "arena de livre discurso". Na visão dele, reverter essa realidade seria possível com algumas medidas como a abertura do código-fonte para que os mecanismos de operação sejam conhecidos e explorados por programadores. Como isso se tornaria possível e qual o impacto?

Edney: o congresso americano está cada vez mais preocupado com o impacto que as redes sociais têm em processos eleitorais e outras grandes decisões da sociedade. Para mudar de forma mais agressiva, as políticas do Twitter terão de enfrentar os políticos estadunidenses.

Se por um lado a abertura do código-fonte pode trazer mais transparência ao processo, por outro ele pode permitir que bots mais sofisticados apareçam pensados, justamente, em burlar essas regras.

Talvez o maior problema, que provocou um certo desânimo em uma grande parcela dos usuários, seja permitir a volta de contas que foram banidas, desde que comprovem que são pessoais reais. Muitos foram banidos por discursos de ódio e fake news, e isso tornaria o Twitter um espaço bem mais polêmico e difícil de conviver.

Gabriela: abrir o algoritmo é a parte mais fácil. É o que torna tudo possível e vimos um Facebook que, de certa forma, trabalhou muito nesse sentido nos últimos tempos.

A ideia desse algoritmo “aberto”, sob a justificativa de fazer o usuário mais consciente da razão pela qual o conteúdo está sendo espalhado, na minha visão, não é ruim. Porém é preciso ter em mente que diminuir a moderação, sob o pretexto de “liberdade de expressão”, pode trazer danos à veracidade dos fatos.

Espalhar fake news e construir conteúdos recheados de intolerância, que antes eram moderados, tendem a ganhar espaço na rede, impactando em um movimento real de cancelamento.

E aí, o que achou das análises e suposições dos especialistas? É válido acompanhar o desenrolar dos próximos capítulos e ficar por dentro das novidades da rede social que, com certeza, reservam muitas surpresas para o universo do Marketing Digital.

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